mais ou menos

Um blog mais ou menos. Mais ou menos interessante, mais ou menos bem escrito, mais ou menos lido.

24.2.07

um alívio

Um amigo meu me disse que não gostaria de ter um blog por não querer seus textos em um lugar público. Inicialmente eu não entendi,mas depois lembrei que eu também já pensei assim.
Qualquer coisa que escrevámos,por mais imparcial ou ficcional que pareça,sempre contêm um pouco de nós, um flagra do estado de nossa alma em um determinado momento.Quando outros tem acesso ao texto ele deixa de ser nosso, passa a ser do mundo. Assim expomos a nós mesmos, nos sujeitamos ao julgamento de nossos leitores, que pode ser injusto, desagradável, muitas vezes indesejado. Isso é um perigo! Como permitir que nos critiquem? Como deixar que nos enxerguem assim? Nossos escritos sao sagrados, são um pedaço de nós, traduzido em palavras.

Mas a verdade é que não escrevemos pra nós mesmos, não é com o objetivo de nos isolar, mas sim para alcançar os outros. Almejamos a compreensão, a atenção. Assim como gostamos dos elogios e até das críticas construtivas. Escrever não é algo realmente solitário, que se faz na escuridão e se guarda numa gaveta empoeirada. É para ser lido fundamentalmente, mesmo que nos deixe tão vulneráveis. Na verdade, é um alívio

To the sunset
I'm sailing, to the sunset
but I am not alone
I picture you smiling
oh,that's where I belong

I'm sailing,not drawning
I'm coming home to you
And even if it rains
I'll make it through

I'm sailing,daydreaaming
but I do not fool myself
love's beautiful and scary
we may last or we may fail

I'm sailing,my darling
come with me if you'd like
to the sunset,daydreaming
living the past behind

Alice Pereira

11.2.07

Crônica de uma esquecida

Ontem era sábado à noite e eu fui a uma pizzaria com duas colegas. Pedi uma pizza pequena de pepperoni e uma coca-cola. O garçom trouxe prontamente as bebidas das outras duas e esqueceu da minha. O mesmo aconteceu com a pizza. Odeio quando trazem comida atrasada!Odeio que esqueçam o que eu pedi, como se fosse algo muito complexo!
- Qual é o seu problema? – eu perguntei ao retardado do garçom
- Calma Bia! - disse a amiga.
Ele pediu desculpas e trouxe o meu pedido.
Isso me fez lembrar a vez que minha mãe esqueceu de me pegar na escola quando eu tinha 4 anos! Que tipo de ser humano responsável faz algo assim? Eu fiquei 3 horas esperando e chorando, achando que jamais voltaria pra casa! Até ela aparecer,,com a cara mais lavado do mundo e diz:
-Oh,querida desculpe! Estava no salão e perdi a hora! – ela disse, sorrindo. Eu a teria mandado tomar no rabo, se soubesse o que isso significava na época.
Também teve aquela vez em que papai e mamãe começaram a conversar na minha frente sobre como ele tinha que parar de olhar pras pernas da secretária, da babá, da titia, de qualquer mulher que passasse na frente dele. Eles esqueceram que eu estava no cômodo. Será que eu era invisível?
As minhas professoras esqueciam de trazer as minhas provas, mesmo quando eu tirava a nota mais alta da classe.
- Oh ,querida, desculpe! Amanhã eu trago sua prova!
E todas as vezes que a minha suposta melhor amiga esqueceu o meu aniversário? É tão difícil lembrar de uma data?
- Oh querida, desculpe, feliz aniversário!Prometo que não vou esquecer ano que vem!- E todo ano ela esquecia!

A minha terapeuta diz que não é culpa deles, que o mundo os ensina a serem egoístas e todos vão morrer sozinhos, o que não fará diferença, já que depois da morte, tudo se transformará no vazio. Acho que ela precisa de terapia...

Até que, papo vai papo vem, uma das colegas disse:
- Você precisa interagir com o mundo, pra que ele não escape de você!
Revelador.
Uma epifania.
Será que não sou eu que devia me pronunciar pro mundo? Será que não sou eu que esqueço de mim?

6.2.07

O guarda-sol voou com a força do vento
A delicada aspereza de um dia de verão,
A qual somos forçados a tolerar
E lembrar que não vai durar 4 estaçoes

E seremos impelidos
ao desconhecido do cotidiano
Renegados as muralhas de vidro e concreto

Quem dera, todos os dias fossem tão suaves
com os pés na areia,
sem ponteiros ou pontaria

Porém temos que retornar aos destinos plásticos
Temos que tolerar os papéis
os abutres,as cobras e o Leão

Quem dera,todos os dias, fossem dias de verão

5.2.07

Decidi acabar com meu antigo blog finalmente. ele era bastante confuso e sem foco algum.
O Bittersweet é mais sério e dedicado a poesias,músicas,contos, crônicas,etc.

Eu faço Letras. e imaginei que quando entrasse na faculdade teria um surto de criatividade e escreveria mais e melhor. Sempre gostei de criar histórias, lugares, pessoas, acontecimentos....mas nunca tive a concentração ou paciência pra terminar as coisas e isso me chateia, me frustra. Na verdade, isso me deixa puta da vida! Mas não era só a falta de foco que não me deixava escrever; eu pensava: pra quem eu escreveria?Quem vai ler isso? What's the point?Antigamente, eu nunca mostrava o que eu escrevia pra ninguém.Nessa época eu era mais retraída e tímida. Porém, de uns anos pra cá, muitas coisas aconteceram na minha vida, que elas me fizeram amadurecer e mudar. Falo o que eu quero e que penso. E se você acha que eu sou calada, é por que não me conhece direito. Enfim, depois que entrei na faculdade, não tive os surtos criativos que eu achei que teria, talvez por que o excesso de teoria bloqueie a prática, ou porque tenho um olho muito mais crítco pra literatura. Até que numa epifania durante a aula de literaatura portuguesa eu escrevi uma poesia e lembrei do meu pobre blog abandonado...resolvi acabar com ele e recomeçar.
Não há o que esperar!O mínimo que posso fazer nessa vida é ser honesta comigo e com os outros. E tudo que vou levar são as lembranças, boas e más, cause it's a bittersweet symphony this life.